NA MIRA

*Texto feito em colaboração com Alanna Berlandi.

Na Mira

Tinha fome no olho que vasculhava a clareira, uma fome fria e afiada pela espera de quem mira e só ataca no limite entre a vida e a morte, entre o tudo e o nada. E o olho que permanecia fechado sonhava sonhos mudos, sonhos de penas negras caindo gentilmente através de um céu tão puro quanto desprotegido. E lá estava ela, a presa. Ajustou o foco do olho que caça e viu que estava perdido. E lá estava ela, a caçadora. Abriu o olho que sonha e continuou sonhando:

Em meio ao ermo se desfez

A eterna angústia do meu ser

Ao encontrar sua tez

Tão pura e peregrina,

Tão mansa e hialina,

Emoldurando o eterno breu

Que existe em seus olhos,

Olhos os seus, que trancam os meus

E uma efêmera troca de olhares

Se torna infinda explosão de amores,

Isenta das presentes dores…

Um disparo ecoou pelo céu e uma suave chuva de penas negras caiu sobre nós.

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~ por jeronimooo em julho 29, 2013.

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