HERANÇA

 

Herança

Certas histórias começam no sussurro da cortina que se fecha
Como um homem muito velho afundado no pântano até os joelhos
E que ainda pode mover os olhos para declamar o vôo de uma ave.

Certos espetáculos só começam com o teatro completamente vazio
Como um vestido que tremula num varal estendido sobre o fogo
E que ainda pode dançar justamente por estar em chamas.

Coloco em tuas mãos o aplauso de um abismo.
Coloco em tuas mãos estas estrelas caindo.
Coloco em tuas mãos as minhas mãos vazias.

Coloco em tuas mãos o infinito.

 

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~ por jeronimooo em março 16, 2013.

Uma resposta to “HERANÇA”

  1. Os poemas são pássaros que chegam
    não se sabe de onde e pousam
    no livro que lês.
    Quando fechas o livro, eles alçam vôo
    como de um alçapão.
    Eles não têm pouso
    nem porto;
    alimentam-se um instante em cada
    par de mãos e partem.
    E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
    no maravilhado espanto de saberes
    que o alimento deles já estava em ti…
    Mario Quintana

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