PLENITUDE

Plenitude

Ela aplaudiu o balé dos navios que afundavam e saiu desabotoando escamas, pequenos espelhos, fragmentos que eu seguia para vislumbrar a totalidade. Depois ergueu-se, sem voz, acima dos rochedos, e penteou melodias com os dedos abertos, embaraçando algas na profundeza de meus olhos fechados. Tateei cada face de cada onda que se desmanchava, até reconhecer as areias que me beijavam com um sabor de ilha, de solidão, de espera e eternidade. Então desembarquei-me, náufrago, desembrulhando bandeiras em seus lábios, brasões de reinos distantes, pergaminhos que a sua respiração deslacrava até revelar todos os meus nomes. Então ela desgovernou-se, majestosamente, em nome de si mesma, até quebrarmos o espaço, num abraço, num mergulho que fez renascer o tempo, o nascimento, a vida e a morte. Amplitude. Plenitude.

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~ por jeronimooo em dezembro 26, 2012.

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