VULNERÁVEIS

Não me pergunte o que estou fazendo com essas cordas que nada prendem: eu só quero estica-las, enfeitar o espaço que separa o tudo e o nada, e depois entrelaça-las, como o cabelo daquela menina que jamais parou de brincar comigo enquanto a tempestade desabava. E nós não sabíamos que existia qualquer perigo, eu ainda não aprendi, mas ela nunca conheceu o medo, nem mesmo quando todos correram dos estrondos que ribombavam da terra, evocando uma eletricidade pura, indomesticável. E assim nós fomos atingidos, ali, no descampado de nossas cordas soltas, ambos arrebatados pela vida e pela morte, sem qualquer julgamento, ambos arremessados para as margens opostas desse mundo. Por isso não me pergunte o que estou fazendo com essas cordas que não alcançam lugar algum: eu quero apenas estica-las entre a porta da frente e o meio do nada, quero distinguir o medo e a coragem para entrelaça-los até recompor aquela inocência que só serve para enfeitar os espaços vazios dos momentos mais essenciais dessa vida. Eu só quero estar pronto para recomeçar a brincar, de dentro para fora, quando a tempestade voltar.

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~ por jeronimooo em dezembro 13, 2010.

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