A LINGUAGEM DOS PÁSSAROS

 

“A poesia não se entrega a quem a define.” Mario Quintana

O filósofo veio até aqui
Olhou bem em meus olhos
Procurou alguma verdade
E foi embora aborrecido

O religioso veio depois
Olhando de cima pra baixo
Não viu a salvação em mim
E foi embora blasfemando

Em seguida veio o poeta
Ou pelo menos parecia um
Mas ele também foi embora
Carregando palavras mortas

E por último veio uma ave
Um pardalzinho solitário
Ele saltou de lá pra cá
E eu continuei escrevendo.

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~ por jeronimooo em outubro 9, 2010.

6 Respostas to “A LINGUAGEM DOS PÁSSAROS”

  1. Enquanto houver passarinhos inocentes, sempre haverão bons versos de uma sensibilidade que me importa. E muito!

  2. Jerônimo, me gusta Manoel de Barros!

    Soberania, Manoel de Barros

    “Naquele dia, no meio do jantar, eu contei que tentara pegar na bunda do vento – mas o rabo do vento escorregava muito e eu não conseguia pegar. Eu teria sete anos. A mãe fez um sorriso carinhoso para mim e não me disse nada. Meus irmãos deram gaitadas me gozando. O pai ficou preocupado e disse que eu tivera um vareio de imaginação. Mas que esses vareios acabariam com os estudos. E me mandou estudar em livros. Eu vim. E logo li alguns tomos havidos na biblioteca do Colégio. E dei de estudar pra frente. Aprendi a teoria das ideias e da razão pura. Especulei filósofos e até cheguei aos eruditos. Aos homens de grande saber. Achei que os eruditos nas suas altas abstrações se esqueciam das coisas simples da terra. Foi aí que encontrei Einstein (ele mesmo – Alberto Einstein). Que me ensinou esta frase: A imaginação é mais importante do que o saber. Fiquei alcandorado! E fiz uma brincadeira. Botei um pouco de inocência na erudição. Deu certo. Meu olho começou a ver de novo as pobres coisas do chão mijadas de orvalho. E vi as borboletas. E meditei sobre as borboletas. Vi que elas dominam o mais leve sem precisar de ter motor nenhum no corpo. (Essa engenharia de Deus!) E vi que elas podem pousar nas flores e nas pedras sem magoar as próprias asas. E vi que o homem não tem soberania nem pra ser um bentevi.”

  3. […] This post was mentioned on Twitter by Nara Figueiredo, Jeronimo Sanz. Jeronimo Sanz said: (SonhoNoSonho) “A poesia não se entrega a quem a define.” Mario Quintana – http://tinylink.in/7H1 […]

  4. Sublime Jeronimo! Sublime!
    ;***8

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