EPIDERME

 

A armadura vazia se defende das ondas e vai recuando em seu duelo contra o mar. Enquanto isso eu te levo pela mão por entre rochas enluaradas, desviando dos destroços de antigos naufrágios e te guiando sem saber para onde ir. Mas isso realmente não importa, não estamos procurando nada que já não tenha sido encontrado aqui em nossos próprios abismos. O mar avança rapidamente e nós presenciamos um exército todo de armaduras afundarem, preenchidas pela vastidão invencível daquilo que chamamos de profundidade. Então entendo, sem soltar a sua mão, que todo esse tempo estivemos guiando um ao outro em direção a esse momento, a esse abismo essencialmente mais alto. E mais profundo.

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~ por jeronimooo em julho 15, 2010.

3 Respostas to “EPIDERME”

  1. “Pense agora o seguinte: o abismo não acaba onde devia acabar, mas continua, mais fundo, mais fundo, vinte vezes mais fundo. E lá embaixo você nota umas coisinhas brancas; à primeira vista parecem carneiros; olhando melhor, descobre que são nuvens, nuvens imensas e gordas. Enfiando o olhar entre as nuvens, você consegue afinal ver um pouquinho do fundo do abismo, mas é tão distante que se torna impossível afirmar se é feito de relva, de árvores, de terra ou de água.”
    – Descrição do abismo no país de Aslam

  2. “O presente é tão grande, não nos afastemos. Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.” Carlos Drummond de Andrade

  3. Subir…subir…até onde se pode chegar…sem pensar se a queda será maior quanto mais se sobe… nem se haverá alguém para lhe dar as mãos…

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