FORA DO NINHO

 

Não tarda e já nasce com pressa de sair roubando carros na porta de casa, querendo cortar aquele outro cordão umbilical que ninguém mais vê. Mas ela pressente e atravessa a cidade aos trancos, atropelando os bons costumes do rebanho que pastava olhando para seus respectivos relógios de pulso. Não tarda e já termina o combustível em algum subúrbio de crianças empinando pipas que ela pega pra si e sim, agora ela tem asas, e as crianças correm enquanto podem atrás dela, esperando que caia como todas as pipas sempre caem. Mas logo o vento trata de leva-la para longe daquela inocência, e agora ela está por própria conta e risco, uma estrela cadente de papel de seda e paixão que cruza o céu de terras esquecidas. Não tarda e eu a vejo e logo faço um pedido enquanto ela vai caindo como todas as estrelas sempre caem. Peço para que eu possa encontra-la em algum ponto entre o horizonte e essa nossa busca desenfreada por um lugar nesse mundo que não nos aninha mais.

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~ por jeronimooo em maio 21, 2010.

6 Respostas to “FORA DO NINHO”

  1. não tardará

  2. E cada estrela no firmamento é um ponto de infinitas possibilidades!

  3. e ,apesar dessas infinitas possibilidades, somos eu e vc que estamos aqui

  4. Estou farto de dúvidas
    De viver à luz de um certo sul
    Laços cruéis
    Os servos têm o poder
    Homens ignóbeis e as suas mulheres vulgares
    Puxam cobertores vulgares sob
    Os nossos marinheiros
    (e tu onde estás nesta hora escura,
    A aparar a barba ou a beber uma margarita?)
    Estou farto das caras soturnas
    Que me olham das torres televisivas
    Quero rosas nos canteiros do meu jardim, compreendido?
    Bebés reais e rubis
    Devem agora tomar o posto
    Dos estranhos abortos na lama
    Estes mutantes, pasto de sangue
    Para a planta semeada
    Estão à espere de nos arrastar até ao jardim separado
    Sabes o quão pálida e excitantemente indesejada vem a morte numa hora estranha, sem anunciar, imprevista
    Como um hóspede inimigo que levamos para a cama
    A morte faz anjos de todos nós e dá-nos asas
    Onde tínhamos ombros macios como as garras dos corvos
    Chega de dinheiro, chega de luxos
    Este outro reino é de longe melhor
    Até que a sua outra face mostre incesto
    E a cega obediência e uma lei vegetal
    Não irei aí
    Prefiro uma festa de amigos
    À grande família

    (tradução de “the severed garden, the doors)

  5. Cada dia que passa tenho mais certeza que não pertenço a esse mundo, e fico feliz em perceber de que não estou sozinha. Encontro e reencontro muitos do meus compatriotas que a vida fez questão de me reapresentar, mas ainda não consegui achar o meu caminho.

    Não posso parar a minha busca, não faz mais sentido aguardar, pois viver esperando desta forma, para mim, não é viver. Não consigo mais usar aquelas máscaras que um dia me protegeram, pois hoje me parecem superflas. Sou mais do que nunca eu mesma, sem medo de deixar a minha essencia a flor da pele. Pois depois da dor que passei, o que pode doer mais ? Não tenho mais medo de me mechucar. E se sentir dor novamente, sei que posso me recuperar. Se sou louca? Talvez, mas hoje não me importo, afinal, de perto todos somos algo fora do normal. Se sou muito radical ? Prefiro acreditar que vivo a vida intensamente, pois assim, tenho o conforto de que dou o meu melhor.

    Só tenho a te agradecer a todos os seus pedidos e desejos, que me fazem acreditar que eu acharei o meu destino.

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