DESCOBERTA

 

Todas as estações passaram em um segundo
Todas as vidas morreram e renasceram em um gesto
Mas não feche esse livro ainda
Meus olhos estão abertos novamente
Todas as histórias estão sendo escritas aqui
Todas as noites ao redor do fogo estão em sua presença
Mas não paremos de dançar ainda
Meus braços estão abertos novamente
Para tudo que fui e não existe mais
Para tudo que serei e nunca será
Agora sou todos e não sou ninguém
Estou ao seu lado e de frente para o fogo
Ou seria o contrário?
Estou de mãos dadas com o fogo
Indo na direção da chama de seu olhar?

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~ por jeronimooo em fevereiro 11, 2010.

11 Respostas to “DESCOBERTA”

  1. Nada passou,
    nem nasceu, nem morreu.
    Ninguém pôde realizar nenhum gesto.
    Olhos abertos… ainda cegos.
    Só tateio uma história, escrita, reescrita, sobreescrita…
    Já começamos a dançar? Quando deixamos de ser quem somos?
    Como podemos ser algo diferente do que somos?
    Tudo, nada, ao lado, de frente…qual a diferença nisso?
    Nossas mãos seguram o fogo?
    Como imagino esse corpo solar! feito de ar, repirando chamas!

    • Também não faz diferença dizer que nada passou, que nada nasceu ou morreu. Não faz diferença ser ou não ser diferente, realizar um ou um milhão de gestos, ou mesmo nenhum. O pior cego é aquele que não ouve. E se voce não escuta a música, como voce poderia dançar agora? E assim como voce diz imaginar esse corpo solar, eu também imagino constelações inteiras! Milhões de mundos e estrelas e sóis rodopiando ao som de um único gesto, de um único olhar.

      • sobre Jesus e os Ladrões:

        “lá atrás, no mesmo campo onde os cavaleiros executam um último volteio, um homem afasta-se, virando ainda a cabeça para este lado. Leva na mão esquerda um balde e uma cana na mão direita. Na extremidade da cana deve haver uma esponja, é difícil ver daqui, e o balde, quase apostaríamos, contém água com vinagre. Este homem
        (…)
        Vai-se embora, não fica até o fim, fez o que podia para aliviar as securas mortais dos 3 condenados, e não faz diferença entre Jesus e os Ladrões, pela simples razão de que tudo isto são coisas da terra, que vão ficar na terra, e delas se faz a única história possível.”

        Não faz diferença…
        É preciso aceitar essa Verdade !!!!
        Mas continuemos…

      • Um corpo solar, constelações que caibam neste corpo…
        A imaginação pode fazer a diferença?
        Imaginação como uma ação e não como um devaneio, ou uma projeção emocional, ou como uma reflexão sobre o imponderável.
        A imaginação pode fazer a diferença?
        Se é da terra a matéria que faz a única história possível, devemos deixar a terra ou esquecer qualquer história, pois não faz diferença qual história é a nossa?
        É claro que não é possível deixar a terra e é preciso aceitar esta verdade! Mas se esqueço minha história, isso faz diferença?
        Mas, para sermos claros, o que exatamente não faz diferença?
        Pensar se estou de frente, de lado, de cima ou de baixo, se minha história é triste ou alegre, se nasci ou morri é diferente de pensar se não nasci, se não morri, se sou cego apesar do que acredito ver, se sou surdo apesar do que acredito ouvir.
        Porque dizer que nada faz diferença não pode ser uma espressão usada de modo absoluto.
        Algo pode fazer a diferença?

  2. Lulu

  3. Lulu !

  4. E se o fogo estivesse por toda parte? Eu te responsabilizaria por ter sido a chama inicial que deu início ao incêndio. E se você consegue ver a chama em um olhar, este é o seu próprio olhar. Os olhares são um só, pois o fogo é só um.

  5. Um guerreiro escolhe um caminho de coração e o segue; e depois olha e se regozija e ri; e então ele vê e sabe. Sabe que a sua vida terminará muito depressa; sabe que ele como todos os outros, não vai a parte alguma. Sabe, porque vê, que nada é mais importante do qualquer coisa. Um guerreiro não tem honra, nem dignidade, nem família, nem nome, nem pátria, mas apenas a vida a ser vivida, de modo que quando pratica seus atos, ele se retira em paz e quer seus atos sejam bons ou maus, dêem certo ou não, isso não o afeta de todo.”

  6. A diferença não faz diferença.

    • Quanta diferença entre quem vê e quem não vê, mesmo que isso não faça diferença para quem vê, afinal a diferença não faz diferença apenas para quem vê.
      E é isso que faz toda a diferença, pois quem vê?
      Desconfio de mim, enquanto cego, quando digo que nada faz diferença.
      Intuo, ainda cego, que algo faz diferença.
      Para um cego, ver faz toda a diferença!

      • E é isso mesmo: não faz diferença o que escrevo aqui. Mas mesmo assim eu escrevo, mesmo sendo cego e mesmo sabendo dos limites que me cercam (por dentro e por fora). Estou apenas intuindo, imaginando, criando a visão que a impossibilidade da cegueira não consegue deter. E que diferença isso faz? Não importa. Perante ao mistério, tudo é possível. Perante ao paradoxo da plenitude, não há julgamento ou hesitação.
        Continuemos! Cegos, loucos, santos, vagabundos… Que seja de coração!

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