POENTE LUNAR

 

Moonset

Desaparece lentamente, sem deixar marcas, recolhendo a prata de nossas faces e os tambores das fanfarras derrotadas. Caem no sono todas aquelas crianças que velavam pela bailarina cega, todas elas que à pouco cantavam de olhos fechados, tão acordadas… Mas agora, uma a uma, todas foram adormecendo em seus uniformes, em seus ternos, pastas e agendas abertas para cumprir um dia que não existe. Segredos de recantos púrpuros vão dando lugar a essas ruas repletas de placas que sinalizam a permanência eterna dentro do cinza dessa gaiola. Amantes trocam a chama viva de suas paixões pelas luzes cirúrgicas de matrimônios abençoados por deuses de cartórios e outros velhacos.
Veja, meu amor: há um sol que os homens erguem no leste todos os dias. Mas isso não passa de um velho truque para nos fazer acreditar que há um novo dia começando. Não nos deixemos enganar por tão pouco. Venha, não abandone seu tambor e eu continuarei velando, cantando de olhos fechados, ao redor desse fogo que nem mesmo o dia consegue ofuscar.
Venha…  A noite ainda não terminou.

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~ por jeronimooo em junho 2, 2009.

3 Respostas to “POENTE LUNAR”

  1. isto diz tudo! você, que escreve isso, tem a marca do poente lunar! como se o tempo tivesse parado, para você, na sua última noite!

    tum-turum-tum-tum…
    tum-turum-tum-tum…

  2. Não quero cair neste truque… vamos enganar o diaa! 😛

  3. é só a lua que mudou de cor…

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