COCKTAIL

 

dead-mans-party

Estive brindando sob torres de gesso, com taças de anestésicos baratos, saudando anfitriões enfileirados em uma rua sem saída. Dancei, sem tocar o chão, em forcas de colarinhos apertados, hipnotizado pelas luzes, pelos reflexos das jóias nos espelhos que ignoravam a Decadência que circulava nua pelo salão. Experimentei máscaras que não conseguiam ocultar o vazio dos olhos acorrentados em bandejas de decotes, quitutes recheados com intervenções cirúrgicas e corações postiços, todos aromatizados artificialmente com a vaga idéia da paixão. Tropecei de boca em boca, urrando entre palavras e sorrisos, desferindo coices para ganhar mais uma chicotada, um segundo a mais de puro esquecimento.

Mas o gesso foi se desfazendo, o colarinho afrouxando e as bandejas tornaram-se cada vez mais raras. Através dessa brecha pude vislumbrar as correntes, as grades e os gritos de desespero dos que acordavam de um sonho bom. Mas o gesso continuou se desfazendo e a máscara toda ruiu quando a chuva tocou em minha pele. Então eu soube que estava em lugar nenhum, em uma estrada aberta que não voltava e nem prosseguia. Então eu comecei a andar. Então eu comecei a amar.

Anúncios

~ por jeronimooo em maio 25, 2009.

2 Respostas to “COCKTAIL”

  1. desfez-se a prisão de pasta de açúcar e celofane…

  2. Agora é verdadeiro; leve e intenso!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: