OUTONO

 

saothome

Os sinos foram erguidos e não há ninguém de joelhos na antiga catedral. O sol despeja  sobre a praça logo em frente uma luz envernizada, gelo dourado numa tarde de outono. Crianças e vira-latas rodopiam como plumas sobre a respiração de um mundo faminto. O vento espalha o hálito das pedras retorcidas do cemitério logo ao lado. Tempo, gravuras de um patriarca anonimo, velas que nunca serão acesas. Mensageiros relaxam sobre a sombra infinita das histórias que tiveram que carregar. Não é tarde! Não é tarde! Correnteza de colares que vão se enroscando, de olhar em olhar: garrafas profundas que derramam a dose auspiciosa para saudar o momento. Chegou a hora dos recém renascidos chorarem, nus, enquanto procuram o seio das esquinas luxuriantes. Não é tarde! Não é tarde! Assim badalam os sinos enquanto continuam se elevando junto com a lua.

Enquanto isso o caçador vai calibrando seu olhar com a escuridão…

 

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~ por jeronimooo em março 26, 2009.

2 Respostas to “OUTONO”

  1. Déjà vu!…

    ^^

  2. Jamais vu!

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