A ROSA

 

“Incendeia
 E vem me abraçar
 Incendeia
 Até nada restar.”

Quero dar início a esse instante
Com a pedra lascada dessas palavras
Contato
Resistência
Fricção
Insistência
Faísca
Fogo!
A chama logo se espalha
Meu leito esteva seco o bastante
Sim, estava
Que outra flor poderia brotar aqui
A não ser o fogo?
E assim dou início ao jardim desse agora
Cercas-vivas demarcam
Labirinticamente
Os limites de minha morte
Estátuas de meus amores perdidos
Projetam sombras onde crescem orquídeas
Ou seriam mendigos com roupas coloridas
Jogando cartas
Que revelam o meu destino?
Não sei
Talvez mendigos também sejam orquídeas
Assim como um incêndio
Também é um jardim
Retiro uma das cartas
Uma pétala em branco
Marfim à flor da pele
Logo sei que é você
Posso penetrar em sua alma
Posso revirar a terra
De seus canteiros mais férteis
E extrair de sua boca
O vinho para rega-la além de meus limites
Onde nenhum jardim pode ser domesticado
Fogo selvagem
Emaranhado de incertezas
Busco então pelas raízes
Palavra por palavra
Pétala por pétala
Silêncio
Um quarto vazio
Deserto outra vez
Mas veja só
Ainda resta uma flor
E ela arde
E brilha
Mais intensamente
Que qualquer jardim
Que qualquer incêndio
Veja só
Eis aqui o amor
Eis aqui o mistério.

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~ por jeronimooo em outubro 1, 2008.

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