•Novembro 9, 2009 •
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A pólvora está molhada
O sentinela adormeceu
Eu tentei fugir
Voltei para o mesmo lugar
Realidade sitiada
Somente um sonho poderá nos salvar
Chuva de verão
Abrigo destelhado
Eu tentei me cobrir
Voltei a afundar
Realidade inundada
Somente um sonho poderá nos salvar
Enquanto isso
Da lama está nascendo uma flor
As cercas cresceram
O impulso diminuiu
Eu tentei fingir
Voltei a aterrisar
Realidade aterrada
Somente um sonho poderá nos acordar
Ruas interditadas
O guia se perdeu
Tentei te descobrir
Voltei a me encontrar
Realidade espelhada
Somente um sonho poderá nos acordar
Enquanto isso
Da lama continuará nascendo uma flor.
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•Novembro 7, 2009 •
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Esses muros querem cair
Homens santos, tirem suas roupas
A divindade está na pele
O amor está no toque
Toda paixão é um milagre
Do vinho que vem da lágrima
Dessa angústia jorrará a fonte
Um copo de água cristalina
Venha, sacie a sua sede
Meu deserto é um oásis
Venha, tire a minha máscara
Nossas fronteiras querem sorrir.
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•Novembro 5, 2009 •
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Eu queria tanto me encontrar
Saber exatamente onde estou
Com ou sem voce
Mas essa não é a minha história
Conheci um garoto sem nome
Recém saído da prisão
Ele temeu a encruzilhada
Mas essa não é a minha história
Tudo é apenas um sonho
E meus olhos estão abertos
Fui general de um exército
Fui senhor de minha solidão
Com ou sem voce
Mas essa não é a minha história
Um vagabundo me ofereceu o cálice
O sangue da realidade
Da ferida, uma possibilidade
Mas essa não é a minha história
Tudo é apenas um sonho
E meus olhos continuam abertos.
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•Novembro 3, 2009 •
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No canto de seus olhos
Uma estrada aberta
No meio da tempestade
Minha esquina passageira
Eu vou de carona
Nossos templos foram destruídos
Somos todos foras da lei
Te buscarei no inferno
Mas te deixarei em casa antes das seis
Me beije como a primeira vez
No fio da navalha
Um coração aberto
No meio da pulsação
Minha vida passageira
Eu vou pelas sombras
Nossas luzes foram apagadas
Somos todos partes de um rei
Te escreverei em meu caderno
Mas te manterei bem longe das leis
Me beije como a primeira vez.
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•Novembro 1, 2009 •
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A pastora encostou-se na cerca
E cochilou:
Fronteira de fumaça
Rebanho de fogo
O cigarro que cai
A brasa conservada
Estou tragando
Estou sendo tragado
E o lobo está caçando
Solidão e neve
A pastora atravessou o espelho
E duvidou:
Camarins e maquiagens
Heróis de pano
A face do pai
A vida inventada
Estou criando
Estou sendo criado
E o lobo está uivando
Solidão e neve.
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•Outubro 31, 2009 •
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A palavra impronunciada
Um nome nunca invocado
Entidade exilada
Imperatriz descalça
Vai, pise na lama
Afunde comigo
A vida pode ser rasa
Mas a respiração é profunda.
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•Outubro 28, 2009 •
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Contrato rasgado
Não me obedeço mais
Motim solitário
O vento está no comando
Mil voltas no leme
Um passeio pelo bairro
Estou atordoado
Mas não estou rendido
O mapa foi apagado
Mas eu continuo escrevendo
Mil palavras no ar
Algumas à favor do vento
E todas as outras resistindo
No silêncio desobediente das ondas do mar.
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•Outubro 25, 2009 •
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Quero te respirar
Embaixo d’água
Por cima do mundo
Gravidade zero
Atronauta submerso
Estrelas flutuantes
Quero te decifrar
Esfinge d’alma
Tão claro no escuro
Aonde te espero?
Esquina do universo
Um passo adiante
Você
Simplesmente
Me faz dançar.
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•Outubro 23, 2009 •
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Toquei o chão com a ponta dos dedos
A grama crescia e eu diminuia

Fui envolvido, abraçado
Torrões de terra, cheiro de chuva
Os grãos pendiam, os frutos caíam
Passeio de raízes pelas profundezas
O choro que desata e purifica
Canais por onde a água circula
Desagua em meus lábios
Me suspende e deixa-me ver
Flores explodindo em torno do sol.
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•Outubro 21, 2009 •
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Não me reconheço nessa paisagem
Helicópteros abatidos
Urubus de prontidão
Anjos caídos
Nunca voltaremos ao normal
Mas eu não estou aqui
Não me reconheço nessa caixa
Balões vazios
Torres de televisão
Teatro falido
A criança não estava lá
Mas eu estou.
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