CAVALGADA

•janeiro 26, 2012 • 1 Comentário

* Ilustração “Darkest Horse” por Nanda Corrêa

Ela domou a lâmina da escuridão
E galopou o fogo frio das estrelas
Cores sangram perfumes noturnos
Flores de uma vastidão intransponível

Tudo que é belo nos acompanha
Quando soltamos as rédeas
Da solidão.

ARQUITETURA

•janeiro 23, 2012 • 1 Comentário

Uma criança brinca de crescer em meus cabelos
É o vento, é o vento entrando pela janela
Bagunçando os quadros na parede
Derrubando a eternidade

Estátuas quebradas sustentam o meu sorriso.

CARTOGRAFIA

•janeiro 20, 2012 • 1 Comentário

Estradas percorrem viajantes
É o mundo que nos descobre
Horizontes tateiam olhares
Ventanias navegam janelas

Todos os caminhos levam
ao desconhecido
que há em nós.

TUDO É PERMITIDO

•janeiro 18, 2012 • 1 Comentário

Sinalizei bandeiras em chamas
E agitei as cinzas ao vento
Territórios desmarcados
Defesas expostas

Ninguém pode mesmo desproteger-se tanto assim
Pode?

Vasculhei as feridas abertas
E escapei sem querer fugir
Multidões desabitadas
Nenhuma salvação

Mas ninguém pode mesmo perder-se tanto assim
Pode?

Se o mistério fosse uma resposta
Você saberia que não importa
E estaria sorrindo agora
Não estaria?

Pois qualquer um de nós pode amar tanto assim
Sempre.

INUNDAÇÃO

•janeiro 16, 2012 • Deixe um comentário

Derramou-se das mãos que guardavam o mar
E espalhou-se, como uma onda, pelas ruas
Até inundar a cidade em seus passos

Toda profundidade começa na própria pele.

ETIQUETA

•janeiro 13, 2012 • 1 Comentário

In a heaven of people
theres only some want to fly,
Aint that crazy? Seal

A febre foi servida em uma taça
E eu delirei, elegantemente,
Até a última estrela cair

Mas agora que a festa terminou
Irei varrer minha compostura
Até reencontrar o perigo

Sempre preferi beber a vida no gargalo.

SEMPRE EM FRENTE

•janeiro 11, 2012 • 1 Comentário

Pedras sonham deslizamentos enquanto caminho
Cordilheiras mergulham poentes em meus olhos
Oceanos ilhados pela vastidão de um instante
Pontes de pássaros que tentam migrar abismos

A noite chegará mas eu nunca poderei retornar.

PARA-RAIOS

•janeiro 9, 2012 • Deixe um comentário

Fricção de chumbos etéreos
Nuvens corpos comprimidos
Tremores, tambores, trovão
E finalmente o raio, a luz

E é como se o céu me perguntasse:
Aonde você vai se esconder agora?

A pele desabriga-se n’alma
Meus braços abertos gritam
Estou aqui! Estou bem aqui
Não preciso me esconder

E é como se o céu me mostrasse:
Todos os raios caem no mesmo lugar.

ÍCARO

•janeiro 7, 2012 • Deixe um comentário

Reescrevo estradas por cima de minhas pegadas
Respiro janelas abertas e aumento o volume
Solto a voz, liberto paisagens e corro
Mais rápido que o som da colisão
Mais alto que o fim do fôlego:
Eis aqui o brilho do sol
Eis o meu primeiro
E último amor.

E ELES FUGIRAM DE BALÃO

•janeiro 5, 2012 • 3 Comentários

Ergueu os olhos e desamarrou-se do chão
Começou a subir por entre os prédios
Viu as formas das nuvens e sorriu
Lembrou-se do reino de outrora
Lembrou-se de si mesma ali
Criando mundos ao vento
Apenas com o seu olhar
E a leveza curiosa
De seu coração.

 
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